Total de visualizações de página

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

A IGREJA ORIENTAL



                   Com a decadência do domínio Romano houve a divisão do império, ocorrida depois da morte de Teodósio (395 d;C.), em Império do Oriente e Império do Ocidente. Com isso a igreja de bizâncio foi cada vez mais se afastando de Roma. O clero oriental tornara-se uma espécie de magistratura político-religiosa a serviço dos imperadores do Oriente, que se arrogavam o direito de eleger e de remover os bispos, ao passo que o Patriarca de Constantinopla exercia o poder sempre mais amplo, a ponto de rivalizar com o Papa. Um dos principais objetivo do imperadores era apropriar-se dos remanescentes bens e poder político-religioso ainda em poder da Igreja. As relações entre as duas igrejas tornam-se cada vez mais frias e hostis, até que, em 1054, com o Cisma do Oriente verificou-se a definitiva separação da igreja de Bizâncio da de Roma
                   A igreja Oriental, também denominada Ortodoxa, objetivava às reformas do culto praticado pelos cristãos e conserva a antiga liturgia descrita pelas constituições apostólicas. 







AS AMEAÇAS NO SEIO DO CRISTIANISMO

   

                A partir do século IV, a integridade doutrinal e a fé católica foram comprometidas por "heresias", tanto no Oriente como no Ocidente. Todavia, desde quase todo o século VII a igreja não teve sérios inimigos de que defender-se. Foi justamente no decorrer deste século que se delineou o maior perigo, representado por Maomé e pelo Islã, porque do Oriente, a religião muçulmana invadia rapidamente o Ocidente, sobretudo Espanha e França. Este grave acontecimento provocou uma espécie de Cruzada, que induziu os fiéis de Cristo a tomarem armas contra os infiéis. O maior perigo era justamente o poderoso exército de Maomé que queria impor sua religião a todos. 
                 Apesar disso, no século XI, sob o papado de Gregório VII (1073 x 1085), a situação interna da igreja começou a tornar-se turbulenta. Com o progresso das ciências teológicas e do fervor religioso, surgem violentas reformas sociais, que tiveram grande reflexo no seio do catolicismo, chegando mesmo a provocar a transferência da sede papal para Avinhão - França. 
                Tais perturbações aparecem durante o século XVI, na mais profunda crise de toda a história da Igreja, a denominada Reforma, provocada por Lutero, que resultou no Concílio de Trento (1545 x 1563) e seguida pela Contra Reforma, surgida para definir a unidade da Igreja católica contra a desagregação provocada pelo Protestantismo.
                  Mas, os séculos seguintes assinalaram, aos poucos, uma afirmação sempre mais sensível da Igreja católica, que, ainda hoje, conta com o mais numeroso e compacto agrupamento de fiéis no mundo todo (cerca de dois bilhões e cem milhões de fiéis). 
                Entretanto, surgiram duas outras confissões cristãs, que podem distinguir-se em dois grandes grupos: a igreja Oriental e as igrejas reformadas (Evangélicas). Essas últimas têm proliferado muito devido à facilidade com que são fundadas por "pastores independentes". Mas estas não têm uma organização central. Muitas, ao contrário dos planos de Lutero, são criadas por pessoas que só querem explorar financeiramente a boa fé das pessoas; outras são verdadeiras empresas com o nome de igreja para fugir dos impostos e usufruir benefícios financeiros que ainda são garantidos por muitos governos atuais.  A tendência é a separação total da igreja e dos governos e, sendo assim, provavelmente muitas benesses políticas serão extintas. 
                  Atualmente o Islã volta a ser um poderoso sistema religioso que tem conquistado muitos cristãos, geralmente desapontados pelos enormes problemas que a Igreja Católica enfrenta com os próprios membros do clero, tais como pedofilia e outros abusos. 




O ESTADO DO VATICANO



               O território do Estado do Vaticano mede menos de meio quilômetro quadrado (0,44 K2). É 140 vezes menor que a menor república do mundo, a de San Marino. Apenas como uma comparação para facilitar o entendimento do leitor, a  superfície da Basílica têm 15 mil m2, a do Palácio Apostólico é de 55 mil m2. A largura máxima do território chega somente a 1.045 metros.  Tem 20 pátios e cerca de mil habitantes de umas 15 nacionalidades diferentes. Há 1.400 moradias e cerca de 200 automóveis levam a chapa SCV (Stato dela Cittá del Vaticano). 
                 O Vaticano, sede oficial da Igreja católica, é o menor Estado independente do mundo; um Estado dentro de uma cidade, Roma. 
                  A primeira Basílica - seu centro espiritual - foi construída no século IV, por ordem do Imperador Romano Constantino, que se dizia convertido ao Cristianismo. 
                  Houve uma época em que o Vaticano ficou quase todo abandonado - os papas residiam em Avingnon, na França. A sede do Papado voltou ao seu local de origem só em 1377, com Gregório XI. Inicia-se, então, a sua ampliação e se enriquecem suas dependências com obras de artistas famosos. 
              No século XV, a Basílica construída por Constantino ameaça ruir e o Papa Nicolau V manda construir uma nova, a de São Pedro, abrangendo, além da área da antiga catedral, a de um circo que o imperador Calígula fizera construir nos primeiros anos da era cristã. Esta construção milionária deu origem às famosas vendas de indulgências com a finalidade de viabilizar o caríssimo empreendimento. 
            Em 1515, para pagar  construção da igreja de São Pedro, o Papa organiza, especialmente na Alemanha, a venda de indulgências plenárias que asseguravam aos compradores o perdão de seus pecados e das penas temporais por esses pecados. Este foi o principal fato que cousou a revolta de Martinho Lutero (1483 x 1546) criador da reforma do Cristianismo, dando origem à igreja que leva seu nome e o protestantismo que congrega diversas seitas de cristãos. 
                   Com  a queda do Império Romano a Igreja Católica Apostólica Romana passou a ser a herdeira natural dos bens e poderes que eram exercidos pelos imperadores.
                 Na Idade Média, o Papas governavam não apenas o Vaticano, mas toda a cidade de Roma- da qual o Vaticano já fazia parte - e também boa porção da Itália. Chamou-se a região dos Estados Pontifícios. 
                  Nos tempos moderno houve disputas entre o poder da igreja e o do Estado. Em 1871, quando a Itália completava sua unificação política, uma lei suspendeu o direito papal sobre os territórios além do Vaticano, propriamente dito. Na ocasião a igreja não aceitou essa imposição e o Papa passou a considerar-se como "prisioneiro do Vaticano". A questão só seria resolvida em 1929, pelo Tratado de Latrão, segundo o qual se firmam o "status" político, a inviolabilidade territorial do Vaticano e a neutralidade política militar do Papa. Este exerce poderes absolutos em seu Estado, sendo que deixa o executivo ao governo civil. 
                  O poder da Igreja Católica têm diminuído, mas o Cristianismo continua sendo a crença mais praticada em todo o mundo.



terça-feira, 21 de agosto de 2018

ORGANIZAÇÃO DA IGREJA CRISTÃ

         

                 Qualquer empreendimento  depende fundamentalmente de uma organização, de ordem, essência e direcionamento. Esse foi, provavelmente o que permitiu o sucesso e longevidade da igreja cristã.  Embora tenha sofrido um cisma com o Martinho Lutero, a igreja cristã conseguiu superar, justamente por sua forma hierárquica de organização, aliada à fé e sua essência. 
              O Cristianismo fundamenta seu ensinamento e sua organização sobre três pilares essenciais: doutrina teológica, sociedade visível de fiéis e forma de vida religiosa. 
                 A doutrina teológica estabelece, antes de tudo as verdades que fogem à experiência humana, Tais como a existência divina, a criação, a justiça de Deus; estabelece, ainda, as verdades que derivam da revelação: 
  1. A sociedade visível de fiéis, isto é, a igreja de Cristo, à qual, segundo os Evangelhos - Atos dos Apóstolos, Jesus mesmo designou uma hierarquia sacerdotal, dotando-a de poderes sobrenaturais, para que os homens pudessem ser guiados rumo á salvação eterna. Embora hoje saibamos que não foi Cristo quem criou a igreja cristã, esses fundamentos continuam sendo de essencial importância para sua manutenção. 
  2. A forma de vida religiosa, ou seja, uma norma moral e um ideal místico, que operam nas relações entre os homens e nas relações entre estes e Deus, que distribui os dons do Espírito Santo e a graça santificante, mediante os Sacramentos e a prece. 
                  Segundo informações dos "Atos dos Apóstolos", a igreja, como sociedade visível de fiéis, foi concebida e fundada por Jesus quando ainda vivo. Ali se diz que Ele pediu a seus discípulos que ficassem unidos em um corpo religioso para cuja chefia designou o apóstolo Pedro. 
                  Sobre a criação do Cristianismo já falei a respeito ¨Jesus nunca teve intenção de criar uma igreja". As informações aqui contidas são dos "Atos dos Apóstolos" e não necessariamente estão de acordo com a realidade  histórica e atual do Cristianismo. 
                 No momento em que Jesus "subiu ao Céu", a igreja nascedora contava apenas com uma centena de pessoas (incluindo-se a Mãe de Jesus e dos doze apóstolos. A vida desta igreja nascente está narrada nos "Atos dos Apóstolos", (embora com algumas informações imaginárias que não condizem com o Jesus histórico). A ela foram admitidos todos quantos, ao receberem o batismo, se tornavam Cristãos.  
                São elementos fundamentais e incindíveis da Igreja de Cristo: 

  1.  A unidade, porque fala sempre de uma só igreja, originada da união dos fiéis com os apóstolos e seus sucessores; 
  2.  A santidade, que provém da doutrina e dos meios de santificado, com os quais a igreja guia o homem até seu último fim; 
  3. A catolicidade, ou universidade, porque abre os braços a todos os crentes; 
  4.  A apostolicidade, porque doutrina e hierarquia descendem ininterruptamente dos apóstolos. 
                 À frente da "Igreja Católica Apostólica Romana, acha-se o Papa, também chamado  Vigário de Cristo, pois é considerado sucessor de São Pedro, Sumo Pontífice da Igreja Universal, soberano do Estado do Vaticano. Como chefe da Igreja, o Papa é considerado infalível quando, da cátedra de Pedro, define oque concerne à fé e à moral. 
              No governo da igreja, o Papa é assistido pelo colegiado de cardeais. Os cardeais representam os continuadores dos presbíteros e dos diáconos, isto é, dos ministros do culto, nos primeiríssimos séculos, estavam designados estavelmente ao serviço de uma determinada igreja. De fato, não mais bastando, então, o bispo da igreja para receber o grande número de fiéis, foram instituídas, cerca do seculo V, igrejas locais, conhecidas como paróquias, das quais estavam incumbidos sacerdotes a quem era permitido exercer a cura das almas e ministrar os "Sacramentos". Segundo o Beato Belarmino, os primeiros cardeais foram os párocos e os diáconos das mais antigas igrejas de Roma. Em 1179, aos cardeais foi reservada a tarefa de eleger os Papas. Com a morte do Pontífice, eles se reuniram um Conclave, como ainda hoje acontece, para proceder à eleição do novo chefe da igreja. Do Papa, depende todo o clero. 
                Quanto às origens do clero cristão, está escrito nos "Atos dos Apóstolos" que, crescendo o número dos adeptos, os apóstolos elegeram sete diáconos, para que os auxiliassem. Mas somente no fim da era apostólica que se delineia, na igreja, uma verdadeira e própria hierarquia. Santo Inácio de Antioquia atesta que, no início do século II, o clero era nitidamente dividido em "diáconos", "presbíteros" (padres) e "epíscopos" (bispos).
                Hoje o clero está constituído por quatro "ordens inferiores" (hostiários, leitores, exorcistas e acólitos) e por quatro "ordens superiores" (subdiaconato, diaconato, presbíteros e episcopado). A ordenação sacerdotal, de parte do bispo "Ordinário", é reservada aos clérigos  que já tenham completado os prescritos estudos de filosofia e teologia. As ordens inferiores têm, praticamente, perdido seu valor simbólico e são, por isso, conferidas aos clérigos, todos juntos. Das ordens superiores, a primeira, "subdiaconato", comporta o voto de castidade perpétua; o diaconato confere poderes para pregar, assistir ao celebrante à missa solene, batizar, distribuir a Eucaristia. O presbiterato, ou sacerdócio, que requer o cumprimento dos estudos teológicos, confere as faculdades próprias dos padres ordinários. O "episcopado", constituído pelo conjunto dos bispos Ordinários, divide-se, por sua vez, em várias ordens: no alto, os "patriarcas", que, na hierarquia, vem logo depois do Papa; a seguir, os "primazes", cuja autoridade se estende a toda uma nação; em seguida, os "arcebispos", chefes de uma inteira província eclesiástica formada por mais dioceses; por último, os "bispos", que têm o governo de uma diocese. 
                    As ordens religiosas, geralmente de origem muito antiga, recebem em seu seio aqueles que, com a profissão de votos públicos solenes, abraçam a regra da vida religiosa própria da Ordem. Entre as Ordens e as Congregações religiosas, recordemos: os Beneditinos, os Jesuítas, os Barnabitas, os Salesianos, os Brasilianos (monges orientais), os Dominicanos, os Franciscanos (divididos em Menores, Menores conventuais, Menores capuchinhos, e Terciários) além de muitas outras. 

*****************************

Os cristãos primitivos estavam ligados as Catacumbas, galerias subterrâneas profundamente escavadas no subsolo, para fins funerários.  Durante as perseguições, os Cristãos ali se reuniam para celebrarem secretamente os ritos religiosos. Depois do "edito de Constantino" e até o século IX, foram utilizadas para o culto e para venerar os despojos dos mártires ali enterrados. 
     No século XIII, uma grande figura iluminou o mundo da Cristandade: Francisco de Assis, que fundou a ordem dos Frades Menores e tornou sublime, com as obras e a pregação, o conceito de pobreza e de irmandade. 
A primeira ordem religiosa foi fundada por Benedito de Nórcia, assim chamado por causa da cidade em que nasceu, em 480. Ainda adolescente, ele se refugiou em uma gruta, perto de Subiaco (Italia), para dedicar-se à meditação e à prece. Depois de vários anos passados em solidão, alguns monges, residentes em Vicovaro (Itália), pediram-lhe para tornar-se seu superior, tendo-lhe morrido o abade. Mas, por causa da má conduta e indisciplina desses monges, Benedito abandonou-os e voltou à vida anterior. Foram alguns pastores que difundiram a fama de sua virtude. Muitas pessoas, mesmo nobres e ricas, pediram-lhe para que as deixasse viver com ele. O Santo acolheu-as e deu-lhes um regulamento, baseado na prece e no trabalho, fundando a ordem dos Beneditinos. Entre seus mosteiros, célebre é o de Monte Cassino. 
.


A CHEGADA DE CONSTANTINO E A VITÓRIA DO CRISTIANISMO



              O ano 305 foi de grande importância para a nova igreja que sofria grande perseguição. Naquele ano houve a abdicação de Diocleciano e isto fez recrudescer a luta entre aqueles que queriam apoderar-se do supremo poder. Maxêncio, usurpador do império, em Roma, enfurecia-se contra o Cristianismo, na tentativa de abafar-lhe a difusão. Constantino, que, com o título de Augusto, comandava as legiões romanas na Gália, voltou vitorioso à Itália e marchou para Roma, a fim de desembaraçar-se de Maxêncio. 
                 Percebendo a inutilidade das ferozes repressões, Galeno Augusto, do Oriente já havia revogado os decretos de perseguição em 311. Constantino, conhecido na história como grande estrategista militar,  chegou ás portas de Roma disposto a derrubar o usurpador Maxêncio e suas milícias. Para conquistar a simpatia dos Cristãos, ele disse que, ao chegar teve uma visão, que ele mesmo, mais tarde  narrou, de  uma cruz que brilhava no céu, em torno da qual se destacavam as palavras in hoc signo vicees (com este sinal vencerás).  Levantando logo um estandarte ornamentado com a cruz e com aquele mote. Numa feroz batalha, às margens do Rio Tibre, com a ajuda dos cristãos, conseguiu derrubar Maxêncio e, entrando triunfante em Roma, dedicaram-lhe o Arco de mármore que ainda hoje se vê, perto do Coliseu. Em seguida, ele adotou nos lábaros de suas legiões a cruz com as letras X e P (em grego, Chi Ro), iniciais do nome de Cristo. Foi o mesmo imperador Constantino que amanou, no ano 313, o famoso Edito de Milão, que punha termo às perseguições, declarando lícita a liberdade de cultos, restituindo os bens confiscados, permitindo, incentivando e mandando construir  novas igrejas por todo o império. Aboliu o sacrifício da cruz, proibiu o combate de gladiadores e declarou-se oficialmente cristão. Sessenta e sete anos mais tarde, Teodósio I, proclamado imperador, emanava o edito com que reconhecia o Cristianismo como a única religião do Estado. 



HOSTILIDADES E PERSEGUIÇÕES AO CRISTIANISMO



                   O novo movimento religioso minava pela base a religião e o prestígio do Estado. Recusando reconhecer o culto oficial pagão, cometia-se crime político por rebelião às instituições, o que equivalia à acusação de traidor da Pátria. Por esse fato, foram tomadas severas medidas repressivas contra os Cristãos, com prisões, condenações e perseguições, que se tornaram mais ásperas ao tempo de Nero, Domiciano, Trajano, Marco Aurélio e Sétimo Severo. Adorar Júpiter Capitolino ou a Deusa Roma, significava, para os romanos, reconhecer lealdade à autoridade imperial. Qualquer outra forma de crença era, portanto, inaceitável. 
             Mas, quanto mais cruenta se tornava a repressão, tanto mais o número dos convertidos aumentava. Isso levou os poderosos a considerar que, de fato, o Cristianismo era um verdadeiro perigo nacional, que se devia reprimir, a qualquer custo. Para restaurar a tradição romana, foram tomadas sangrentas e ferozes medidas de caráter geral, antes de Décio (249), depois por Valeriano (257) e, finalmente por Diocleciano e seus sucessores, mais ou menos entre os anos 302 e 310.
               Neste último período, no qual se tentou aniquilar pelas raízes o Cristianismo, passou para a História como a "era dos mártires". 
                   O número de mártires, nos últimos séculos, antes da chegada de Constantino, foi realmente elevadíssimo. Os historiadores acham-se concorde em celebrar  excepcional força espiritual e consciente serenidade demonstrada pelos Cristãos, que enfrentavam o martírio. Foi o exemplo desses mártires que contribuiu para a confirmação do sobrenatural, constante da fé cristã, e a suscitar nos corações uma nova esperança e um novo credo. 


CRISTIANISMO - O INÍCIO DAS PREGAÇÕES



                      Os fatos aqui narrados nos mostra que, de fato, Pedro foi o responsável pela inicial expansão do Cristianismo. Por tal razão é, por muitos, considerado como o verdadeiro criador da religião cristã. 
                 Sabemos que a pregação do Cristianismo teve início em Jerusalém, por obra de Pedro. Daquela cidade o apóstolo passou para Antioquia, pelos pagãos, e depois para Roma. Regressou, a seguir, a Jerusalém, a fim de presidir o primeiro Concílio (reunião) dos apóstolos. Para fugir às perseguições, Pedro volta a Roma, dizem, depois de 60, e ali, em 67 ou 68, sofreu o martírio. Por isso ficou sendo o centro da Cristandade e sede dos Papas, considerados sucessores de Pedro.  
                A princípio, o ensinamento de Cristo encontrou em redor de si o originário mundo hebraico e, a seguir, aquele mundo grego-romano, materialista e pagão, o qual, tendo, todavia, assimilado a cultura dos filósofos, estava maduro para uma revolução espiritual e moral. Nada melhor do que o Evangelho para responder a essa natural religiosidade, que constituía uma das fundamentais necessidades da alma humana, e isso explica porque o Cristianismo teve rápida e larga expansão. Todavia, é também verdade que enormes dificuldades, de origem social e política, se opunham ao seu triunfo. Para os pagãos, Jesus não era apenas um Hebreu, mas também condenado á morte por grave crime. Além disso, a ética cristã, que exigia uma vida casta e pia e a caridade fraterna também para com os humildes, opunha-se decididamente aos maus hábitos de um mundo materialista e corrupto.
                   Já pela metade do século I, o Cristianismo dava  prova de uma vitalidade tal que é considerada a manifestação mais evidente da sua origem divina. A mensagem evangélica, como se viu, possui caráter nitidamente universal. Os ensinamentos do "Filho de Deus", referindo-se ao homem em geral e não somente ao povo judaico, tornaram a doutrina de renascença espiritual válida para todos. 
                   Entretanto, um pequeno grupo de iletrados, de gente humilde, desperta por sua origem hebraica, conseguiu difundir aquela semente espiritual de que Cristo falara em suas parábolas, de modo a vencer, em poucos séculos, todo o mundo do Ocidente e, em grande parte, também do Oriente. Logo de início, o Cristianismo afirmou-se entre os povos do Mediterrâneo Oriental. É certo que, ainda antes de Trajano (53 - 117), estava já rapidamente difundido na Palestina, na Síria, na Ásia Menor, na Macedônia, no Epiro (Grécia), na Ilíria, no Porto, em Alexandria, da Egito, na Dalmácia e em alguns centros das encostas da Itália central e meridional. Dizem que já havia, também, na Espanha, núcleos de Cristãos. Em fins do século II, o Cristianismo contava com prosélitos em todo o vasto Império Romano.
                  A maioria dos convertidos, constituída de início por aquela gente pobre e humilde,  para quem a palavra de Jesus era especialmente dirigida, ajuntaram-se bem depressa elementos  provenientes de classes mais elevadas. De fato, conta-se que, no ano 180, uma enorme multidão de nobres já havia aderido ao Cristianismo, que conquistara ferventes discípulos nas fileiras das legiões romanas. Tertuliano, célebre apologista e escritor romano de Cartago, nascido em 160, testemunha que a religião de Cristo invadira os acampamentos, o fórum,  o senado e a corte.